terça-feira, julho 20, 2004

Sem luz lá dentro...

Os dias arrastavam o corpo devagar, davam passagem às horas, deixavam cair os minutos, o calor que os rodeavas estonteava vontades, esmorecia crenças, custava-lhe mexer os olhos, teimavam em fechar, queria esquecer...Cada dia que passava, pensava... noutro dia que faltava... ainda lhe doía mais o corpo, ainda sentia mais o corpo, a sua presença manifestada em pequenas gotículas de sal, desciam de dentro caiam lá fora, tecido moldado, pele insuflada, mostrava-lhe a crua realidade, estava quente, muito quente... e ele continuava tão frio por dentro, tão frio.Deambulava pelas ruas, arrastando o tempo  a passos mortiços, a braços bamboleantes no pedir, na pele a tez do negro interior, já não tinha luz, já não saia luz dos seus olhos-alma, era um corpo com o sonho morto...
 
 Dedicado aqueles que foram traídos pela vida...